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17.02.2021 | Por: administrador

Tradição de fiar é retomada no Caub; produtores realizam plantio de algodão colorido

Foto tirada no primeiro mutirão das fiandeiras da região do Caub, em fevereiro de 2020.

 

Para resgatar a tradição de fiar entre produtoras rurais do Caub, núcleo rural do Riacho Fundo II, a Emater-DF e as fiandeiras da  região se reuniram para viabilizar sementes de algodão colorido e organizaram um mutirão para o plantio das cultivares de cor marrom e verde. O mutirão será realizado nos dias 18 e 19 de fevereiro, a partir das 15h. Nesta primeira ação, o algodão será plantado em terrenos de duas produtoras da região, totalizando 2 mil metros quadrados de plantio.

A expectativa é a de que, posteriormente, as semente produzidas nas propriedades sejam recolhidas e repassadas para outras famílias participantes do grupo das fiandeiras, multiplicando as variedades e o cultivo na região. As sementes foram adquiridas pela Emater-DF e vieram de produtores da Paraíba, que cultivam o algodão e a tradição de fiar. As cultivares coloridas tiveram origem no Centro de Pesquisa de Algodão Colorido da Embrapa.

 

Ao todo, devido à pandemia, o número de trabalhadores no mutirão foi restrito a quatro famílias. “O objetivo é fortalecer o trabalho das fiandeiras do Caub oferecendo uma fibra do algodão colorida naturalmente. As sementes têm valor agregado, por ser uma fibra que já vem colorida e ter preço de mercado referenciado”, ressaltou o coordenador do programa de Floricultura da Emater-DF, Carlos Morais, que tem apoiado o projeto das fiandeiras do Caub.

 

 

De acordo com ele, as sementes não serão mescladas no mesmo cultivo para não perder a qualidade. Em mil metros quadrados da propriedade da produtora Angélica Nunes será plantado o algodão marrom e nos outros mil metros da propriedade de Gizelma Fernandes será plantada as sementes do algodão verde. Apesar do plantio ser realizado apenas em duas propriedades, outras oito famílias serão beneficiadas com o processamento do algodão. 

 

“Estamos resgatando uma cultura da agricultura familiar que estava se perdendo. O Algodão já se tornou uma cultura das commodities, grandes empresas produzindo algodão. Hoje, todo o processo é mecanizado. O que as fiandeiras do Caub estão proporcionando é o resgate da cultura manual, que envolve plantio, cultivo, colheita e processamento manual”, explicou Morais.

 

A prática de fiar é considerada uma atividade cultural que corre risco de extinção. “Essa ação é muito importante porque esse plantio vai resultar em matéria prima para que elas possam trabalhar. No local, já foi plantado o algodão branco. As demais cores vamos utilizar pigmentos naturais, tingindo os fios, para que elas tenham uma cartela de cores naturais para trabalhar com o algodão”, destacou a extensionista da Emater-DF Janaina Dias, que trabalha com o grupo. Ela explicou que o encontro entre as fiandeiras só deve ocorrer após a vacinação contra o coronavírus.

 

O trabalho está sendo realizado pelo escritório da Emater-DF em Vargem Bonita, pela coordenação do Programa de Floricultura da empresa e pelas fiandeiras do Caub. O algodão será transformado em linhas que serão usadas para fazer bordado no papel de bananeira, em tecido e também em encadernações artísticas.

 

Primeiro evento fiandeiras

Em fevereiro de 2020, o grupo de fiandeiras realizou o primeiro mutirão para plantação de algodão. Na ocasião, também houve um momento cultural com dança catira, moda de viola, sanfona, cavalgada e uma roda de prosa com histórias contadas pelas mulheres fiandeiras do Caub.

 

Enquanto homens e mulheres voluntários preparavam a roça, as mulheres pioneiras no fiar ensinavam como fazer o fio. Ao todo, dez fiandeiras vivem na região. A organização do grupo para a retomada da tradição da arte de fiar foi uma iniciativa do Projeto Revivare, que atua na área de educação socioambiental, e teve o apoio de diversas instituições privadas e públicas, entre elas a Emater-DF.

Fonte: Emater-DF

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