Como transformar um sistema de pastagem convencional em orgânico num prazo de 12 meses, apenas com adubação e uso de insumos alternativos?

sistema agrossilvipastoril organico

Essa tecnologia é apresentada pela Embrapa Cerrados e Emater no Circuito de Agroecologia do Espaço da Agricultura Familiar. Ali, o visitante pode conhecer todo o sistema agrossilvipastoril orgânico, implantado nos últimos cinco anos, com sistema rotativo de pastagens consorciadas de gramíneas e leguminosas, eucalipto e fruteiras nativas, mandioca e volumosos para a alimentação das novilhas.

Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, João Paulo Soares, uma das tecnologias apresentadas é o uso de adubos fontes naturais de fósforos, do pó de rocha em substituição ao cloreto de potássio, da cama de frango ou biofertilizantes no lugar da ureia, do sulfato de amônia como fonte de nitrogênio para todo o sistema.

E o dado mais interessante ao produtor é, sem dúvida, o custo benefício desse espaço agrossilvipastoril orgânico. “Segundo pesquisa da equipe de socioeconomia da Embrapa Cerrados, a cada real investido na implantação desse sistema, o retorno seria de R$ 2,44. No sistema convencional, seria metade disso. Isso porque o valor agregado do produto orgânico é muito elevado, até 50% a 70% a mais. A mandioca orgânica descascada e embalada, por exemplo, custa em torno de 7 reais o quilo, mais que o dobro da convencional”, contabiliza João Paulo.

Uma dos itens econômicos avaliados na pesquisa foi a implantação do sistema, com cercas, irrigação, mão de obra. “No caso da mandioca plantada numa área de 300 metros quadrados, em 10 meses, houve produção de 54 toneladas por hectare, em torno de 8 toneladas, o que deu um retorno de cinco mil reais. Este valor seria suficiente para pagar o investimento da cerca, um dos custos mais elevados na implantação do sistema agrosilvopastoril”.

Com relação ao leite orgânico, o pesquisador destaca que a produção brasileira é hoje de aproximadamente 8 milhões de litros/ano, com cerca de 40 produtores certificados pelo Ministério da Agricultura. “A demanda é muito grande, e temos desenvolvido tecnologia para que essa produção se intensifique”, ressalta João Paulo, lembrando que a  Lei 10.831 e a Instrução Normativa 46 mostram todos os passos que o agricultor convencional precisa seguir para se tornar orgânico.