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Prazo de inscrição no CAR está perto do fim e pode trazer perda de direitos a quem não preencher

Conheça os mitos e verdades sobre a inscrição no Cadastro Ambiental Rural e tire suas dúvidas

O prazo para inscrição no Cadastro Ambiental Rural (CAR) encerra em 31 de dezembro deste ano. Estima-se que cerca de 42% das propriedades rurais do Distrito Federal ainda não realizaram o CAR. A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-DF), pelo convênio com o Fundo Nacional do Meio Ambiente (Funam), e em parceria com as secretarias de Agricultura (Seagri-DF) e do Meio Ambiente do Distrito Federal (Sema), já apoiou o preenchimento de 5 mil cadastros. No Distrito Federal, já são mais de 11 mil cadastros realizados.


Para propriedades rurais com até 20 hectares, o auxílio é feito de forma gratuita. Basta procurar o escritório da Emater-DF mais próximo do imóvel. Considerando as propriedades que se encaixam nessa condição, as regiões de Ceilândia, Brazlândia e Gama têm o maior número de respondentes (cadastros preenchidos), com 677, 631 e 607 respectivamente. Sobre áreas maiores, é cobrada uma taxa de R$ 450, que deve ser paga antecipadamente.


O CAR é um documento autodeclaratório e o não cadastramento pode levar a perda de direitos, como não ter acesso a linhas de crédito rural e impossibilidade de regularização fundiária. Para evitar esses problemas, o proprietário, posseiro, legítimo ocupante ou concessionário pode procurar a Emater-DF para realizar o preenchimento das informações ou preencher diretamente pelo site:www.car.gov.br.


Segundo o gerente de Meio Ambiente da Emater-DF, Marcos de Lara, os produtores que ainda não preencheram podem estar com dúvidas a respeito de algumas questões. “Todos os imóveis rurais do DF precisam estar cadastrados e nós estamos à disposição para esclarecer qualquer demanda que possa surgir”, diz o gerente.

Veja a seguir os esclarecimentos para alguns mitos levantados sobre o preenchimento do CAR.

Fonte: Assessoria de Comunicação da Emater-DF

Exportações do agronegócio cresceram 40% em outubro sobre mesmo mês de 2016

Produtos de origem vegetal representam 78% do total das vendas. Participação da Ásia como mercado de destino dos produtos aumentou para 41,1%

As exportações do agronegócio atingiram US$ 8,02 bilhões, em outubro, com crescimento de 39,9% sobre igual mês no ano anterior, quando as vendas externas do setor somaram US$ 5,74 bilhões. Já as importações caíram 5,5%, no mesmo período comparativo, situando-se em US$ 1,14 bilhão. Como resultado, houve aumento do superavit do setor, passando de US$ 4,53 bilhões para US$ 6,89 bilhões.

O agronegócio representou 42,5% das exportações brasileiras no último mês. Em relação às importações, a representatividade dos produtos agropecuários foi de 8,3% no período.

Desempenho de setores

Os produtos de origem vegetal representaram 78,1% do volume do agronegócio exportado no mês, somando US$ 6,27 bilhões, e os origem animal somaram US$ 1,75 bilhão. O complexo soja liderou a pauta, com destaque para o grão, cujas vendas atingiram US$ 939,26 milhões. As exportações de farelo somaram US$ 423,53 milhões e as de óleo, US$ 100,96 milhões. O desempenho deveu-se ao maior volume embarcado, já que os preços apresentaram queda: grão (-8,8%), farelo (-13,3%) e óleo (-9,7%).

As carnes ocuparam a segunda posição no ranking, com US$ 1,42 bilhão, se destacando as de frango (US$ 623,78 milhões (+ 24,4%, em 12 meses) e bovina, com US$ 601,65 milhões (+38,1%). As vendas de carne de frango e bovina in natura foram recordes, em quantidade, com 335,24 mil toneladas e 119,08 mil toneladas, respectivamente. Mas houve queda nas vendas de carne suína (-7,8%; caindo para US$ 134,35 milhões) e carne de peru (-19,5%; para US$ 25,30 milhões).

Destacaram-se, ainda, o complexo sucroalcooleiro, com US$ 1,12 bilhão, em exportações. O açúcar predominou no setor, atingindo US$ 1,03 bilhão (91,9%). As exportações de álcool cresceram 122,3%, no período, (+131,9% em quantidade e -4,1% em preço).

Produtos florestais somaram US$ 1,02 bilhão, posicionando o setor como o quarto principal do agronegócio em outubro. A celulose foi destaque, somando US$ 538,99 milhões, com aumento de 18% (-1,8% em quantidade e +20,1% em preço). Houve crescimento de 40,9% nas vendas de madeiras e suas obras (+69,2% em quantidade e -16,7% em preço), atingindo US$ 313,58 milhões. As exportações de papel também avançaram (12%), passando para US$ 163,72 milhões.

Na quinta posição da pauta, situaram-se as exportações de cereais, farinhas e preparações (US$ 823,92 milhões), lideradas pelo milho, que foi responsável por 94% do total. O aumento no volume embarcado foi de 356,3%, reflexo da produção recorde de 97,71 milhões de toneladas estimada para a safra 2016/2017, depois de um ano em que houve quebra de produção.

Mercados

A Ásia manteve-se como a principal região de destino das exportações do agronegócio brasileiro, alcançando US$ 3,30 bilhões, em outubro, com aumento de 56,5%, ampliando a participação da região no total das exportações, de 36,8% para 41,1%. A União Europeia, segundo principal destino, registrou crescimento de 23,3% no valor nas exportações, mas a participação no total das exportações caiu de 22,1% para 19,5%.

Importações

Os produtos agropecuários importados tiveram queda de 45,7%, no segmento de cereais, farinhas e preparações, implicando em redução de US$ 150,96 milhões. O decréscimo atribui-se principalmente ao recuo nas aquisições de milho (-81,2%) e de trigo (-32,7%). Também caíram substancialmente as compras de cevada (-63,5%), malte (-49,4%) e arroz (-47,1%).

Acumulado no ano

As exportações do agronegócio de janeiro a outubro acumulam o equivalente a US$ 82 bilhões (+12,2% sobre o mesmo período do ano anterior). As importações também cresceram, passando de US$ 10,99 bilhões entre janeiro e outubro de 2016 para US$ 11,82 bilhões entre janeiro e outubro de 2017 (+7,6%). O crescimento das exportações do agronegócio possibilitou ampliar o superavit comercial, que subiu de US$ 62,11 bilhões, no período de 10 meses, para US$ 70,18 bilhões.

Acumulado em 12 meses

Nos últimos doze meses, as exportações brasileiras do agronegócio brasileiro somaram US$ 93,84 bilhões, montante que representa crescimento de 8,4% em relação ao mesmo período anterior, quando somaram US$ 86,59 milhões. As importações foram de US$ 14,46 bilhões, resultando em saldo comercial positivo de US$ 73,71 bilhões.

Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

Planalto Central produz frutas de qualidade

Projeto de fruticultura em Cristalina apresenta nova realidade para produção de frutas no Cerrado

A AgroBrasília, juntamente com a Emater-DF e a Coopa-DF, realizaram uma visita de campo à Fazenda Realeza, em Cristalina, Goiás, para conhecerem as atividade de fruticultura do grupo Brava. O grupo apresentou uma novidade que traz para o Cerrado a possibilidade de produção de frutas, antes só cultivadas em climas temperados.

Edson Carlos da Silva, criador do projeto e proprietário da Brava, apresentou a iniciativa aos organizadores da Feira. A próxima AgroBrasília contará com uma área demonstrativa dedicada a fruticultura, demonstrando toda o potencial produtivo do Planalto Central.

A iniciativa apresentada teve início há sete anos e, hoje, já existe em área comercial. O cultivo de frutas como maçã, pêssego e atemoia no Cerrado é uma quebra de paradigma de acordo com o coordenador da AgroBrasília, Ronaldo Triacca. “O Planalto Central tem uma peculiaridade, nós consideramos essa região a mais diversificada do mundo pelas culturas que já existem aqui. Mas há poucos anos atrás isso era inimaginável” comenta.

Theodorus Daamen, mais conhecido como Theo, é engenheiro agrônomo, especialista em fruticultura e participou do projeto desde o início. Ele conta que o maior desafio é a adaptação dos produtores a essa realidade. “O problema é fazer as pessoas entenderem o que a fruticultura precisa. Porque tecnologia de produção, tem. Só falta aprender a trabalhar com ela”, afirma. Além das frutas já produzidas, Daamen diz que a diversificação do Cerrado permite, ainda, a produção de abacate, manga, banana morango e mirtilo.

O sucesso adquirido e o conhecimento acumulado pelos responsáveis do projeto chamaram atenção do coordenador de fruticultura da Emater-DF, Antônio Carlos dos Santos Mendes. “Nós trouxemos nossos técnicos todos para conhecer o projeto. Agora queremos montar uma unidade demonstrativa na cidade para despertar o interesse de produtores locais”, comenta. O órgão apresentou interesse em replicar o projeto em Brasília.

Durante a AgroBrasília 2018, que acontecerá de 15 a 19 de maio, será realizado o seminário “Fruticultura irrigada no Planalto Central”, voltado para capacitação de pessoas interessadas na nova tecnologia.

 

Da agricultura familiar vem a base da alimentação nacional

Quase 50% das pequenas propriedades estão em solo nordestino e garantem o abastecimento do restante do Brasil


A agricultura familiar no Brasil é sinônimo de Nordeste. Os produtores da região respondem por metade do fornecimento de alimentos que chegam às mesas do País. Os nove estados reúnem quase 50% dos 4,4 milhões de empreendimentos desse segmento. O esforço nos últimos anos visa adensar as cadeias produtivas locais, incorporar novas culturas e tecnologias, aumentar a compra e ampliar os investimentos para reduzir os efeitos da seca.

A estiagem traz prejuízos incalculáveis aos agricultores familiares. “A seca afeta principalmente a pequena pecuária e a agricultura, pois os grandes produtores têm mais recursos para combatê-la, pois sempre ocuparam as terras perto de rios e contam com abastecimento de água mais farto. Os programas sociais nesse campo têm um papel importante para diminuir os efeitos da seca”, afirma a economista Tania Bacelar, sócia da consultoria Ceplan.

A importância da agricultura familiar e os efeitos da seca sobre o segmento estimulam a discussão sobre o tamanho do Brasil rural. Para o secretário do Desenvolvimento Agrário do Ceará, Dedé Teixeira, estudos recentes apontam um fenômeno recente, uma nova ruralidade, que engloba dois tipos de produtores: famílias que habitam zonas periféricas das grandes cidades e plantam para subsistência ou para vender a vizinhos e agricultores de pequenas cidades que empurram a economia local.

Sete anos atrás, 70% dos municípios tinham menos de 20 mil habitantes e quase 90% tinham menos de 50 mil habitantes. Os indicadores de que 16% da população vive no meio rural, sugere esta análise, estariam defasados e contrastam com a realidade.
“Esse direcionamento aponta que quase 40% da população no Brasil está ligada a essa nova realidade. Isso cria a percepção de que a União, os estados e os municípios precisam ter uma visão diferente sobre o tema e os orçamentos públicos precisam contemplar essa discussão, que precisa ganhar espaço na sociedade”, destaca.

“O que faz a gente desconfiar do total de 16% que vive no meio rural, apresentado pelos indicadores, é a quantidade de municípios com menos de 20 mil habitantes no País, que são 70%. Um habitante do perímetro urbano de um município de 5 mil habitantes é tido como urbano. É comparado com o morador de São Paulo. O Brasil rural é muito maior do que a sociedade pensa”, acrescenta Tania Bacelar, uma das pesquisadoras que estimam o Brasil rural em 40%.

Os governos estaduais apostam em diversas estratégias para fomentar o segmento. Estado com maior número de agricultores familiares, a Bahia investe 260 milhões de dólares desde 2015 em um programa chamado Bahia Produtiva, para adensar cadeias produtivas de agricultores familiares, que conta com recursos do Banco Mundial.


Foram executados até o momento pouco mais de 170 milhões de reais. Até 2020, mais de 500 milhões de reais serão investidos. Recentemente, foi aberto um edital para a cadeia do cacau, por meio do qual foram selecionados 32 projetos que receberão 10 milhões de reais. “Queremos explorar o máximo essa cadeia, 90% do cacau produzido na Bahia vem de agricultura familiar. Queremos adensar com outros produtos, como manteiga de cacau, chocolate com mais teor de cacau”, afirma Jerônimo Rodrigues, secretário de Desenvolvimento Agrário.

No Maranhão, os focos são a produção de mel, enviado in natura para os estados vizinhos, como o Piauí, e recomprado industrializado, e de açaí, cuja fruta é em grande parte processada no Pará. “Queremos mudar essa realidade e adensar essas cadeias e produzir riqueza aqui”, afirma Adelmo Soares, secretário de Agricultura Familiar. Em agosto, a Associação dos Apicultores de Junco do Maranhão foi contemplada por uma chamada pública feita pelo governo para selecionar projetos de revitalização de agroindústrias familiares da cadeia produtiva do mel.

A associação receberá 100 mil reais que serão usados para reformar as unidades de produção e melhorar o processo de obtenção de licenças ambientais e registros sanitários, para garantir a inocuidade e a qualidade do mel. Com cerca de 45 famílias associadas, a expectativa da coleta, que vai do período de julho a outubro, é produzir perto de 200 toneladas do produto para comercialização.

O estado ainda prepara duas novas chamadas públicas, uma direcionada ao açaí e outra ao babaçu. “Queremos exportar o óleo de babaçu, já que exportamos apenas o coco”, afirma o secretário. Para o açaí, preveem-se investimentos de 540 mil reais, que beneficiariam até 70 produtores dos municípios de Amapá, Cândido Mendes, Godofredo Viana, Carutapera e Luís Domingues.

No Ceará, o governo assinou em agosto um decreto que cria a política de aquisição de alimentos da agricultura familiar, destinado a cinco modalidades: compra com doação simultânea, compra direta, incentivo à produção e ao consumo de leite, apoio à formação de estoques e compra institucional.

De janeiro de 2016 até junho de 2017, o estado comprou perto de 150 milhões de reais em alimentos. “Com esse decreto, pelo menos 30% serão da agricultura familiar, são cerca de 2,5 milhões de reais por mês. Isso também vai garantir aos produtores condições mais saudáveis nessa cadeia alimentar e, o mais importante, será um complemento ao trabalho dos nossos agricultores”, destaca Teixeira.

O Ceará investe ainda na distribuição de mudas de cajueiros-anões, variedade que antecipa em dois meses e prorroga por mais dois meses a produção. Um cajueiro comum produz 280 quilos por hectare em um ano. A espécie anã produz até mil quilos por hectare no mesmo período. Normalmente, a safra inicia-se em setembro de um ano e segue até janeiro do seguinte. “Temos 10% dos hectares plantados de caju do estado com essa variedade”, aponta Teixeira. O Ceará é o maior produtor da fruta no Brasil.

Incorporar novas tecnologias para assegurar produtos com alta segurança alimentar tem sido o objetivo do governo da Paraíba, que tem promovido uma série de cursos sobre boas práticas de fabricação de alimentos para agricultores de polpa de frutas e derivados do leite. Outra iniciativa é o fomento de feiras locais. Em julho, foi a vez do município de Bonito de Santa Fé, no sertão da Paraíba. A feira, que funciona às sextas-feiras, reúne cerca de 20 produtores que se dividem em dez barracas com produtos agrícolas e animais.

O principal financiador da cadeia é o Banco do Nordeste, que investirá 2,5 bilhões de reais na safra iniciada em julho deste ano. O valor equivale a um acréscimo de 8% em comparação à safra anterior. Os juros variam de 0,5%, 2,5% e 5,5% ao ano, a depender da destinação do crédito. As taxas mais reduzidas favorecem a produção de alimentos em sistemas de base agroecológica e orgânica, assim como os investimentos em energia renovável, irrigação e práticas sustentáveis de manejo do solo e da água.

Para este ano, a novidade é uma nova linha com foco em investimentos em energia solar.“Ela vai aumentar a competitividade de atividades no meio rural e contribuir para a utilização de energia renovável e limpa no meio rural”, afirma Alex Araújo, superintendente de Microfinança e Agricultura Familiar.

Os governos estaduais têm buscado reduzir o impacto da seca no interior, com a instalação de cisternas. No Ceará, desde 2015 foram instaladas cerca de 40 mil cisternas, além de a administração ter ampliado o programa de reúso de água em comunidades do interior. No Maranhão, o governo estruturou um programa para a distribuição de cisternas a escolas rurais e a agricultores familiares. Outro programa fortalecido foi o Mais Feira, que distribui um kit composto de barracas, balanças, jalecos, caixa de isopor, gaiola plástica para aves e treinamento de comercialização e higiene.

Fonte: Carta Capital

Fazenda no Cerrado registra recorde brasileiro na produtividade de trigo

Condições de clima favoráveis, boas práticas e novas cultivares desenvolvidas para a região explicam o bom resultado da cultura do trigo no Cerrado, que registrou nesta safra o recorde de produtividade do País: 139,8 sacos por hectare (sacos/ha), ou 8.388 quilos por hectare (kg/ha) de grãos, enquanto a média nacional é de 46,66 sacos/ha ou 2.800 kg/ha. Esse resultado foi alcançado pelo produtor Paulo Bonato, na fazenda Dom Bosco, em Cristalina (GO). O agricultor atingiu esse recorde de produtividade ao plantar, em 101 hectares de sua fazenda, a cultivar da Embrapa BRS 254.

Atualmente, 80% das variedades de trigo cultivadas no Cerrado foram desenvolvidas pela Embrapa. A mais utilizada é a BRS 264, plantada atualmente tanto na safrinha (sequeiro), quanto no sistema irrigado. Calcula-se que cerca de 65% das lavouras de trigo da região façam uso dessa cultivar. Já a BRS 254, que proporcionou os resultados na fazenda de Bonato, ocupa um espaço menor na região, mas possui alta qualidade industrial, elevada força de glúten, excelente estabilidade e é voltada para panificação. Outra cultivar da Embrapa utilizada por produtores da região é a BRS 394.

O produtor iniciou o plantio no dia 8 de maio, e a colheita foi finalizada em 21 de setembro. O custo de produção acabou sendo um pouco maior do que a média: ficou em R$ 3,7 mil/ha, sendo que normalmente esse número gira em torno de R$ 2,8 mil/ha a R$ 3,2 mil/ha. “O custo dele é um pouco maior, pois necessita de mais insumos, mais investimento, mais irrigação, usa mais defensivos, utiliza adubos foliares e micronutrientes”, contou o engenheiro- agrônomo responsável pela área de fomento do trigo da Cooperativa Agropecuária da Região do Distrito Federal (Coopa-DF), Claudio Malinski, referindo-se à lavoura de Paulo Bonato.

Bonato utilizou nesse plantio 190 quilos de sementes por hectare. “Noventa e seis por cento germinaram”, comemora o produtor. Uma grande preocupação dele foi com o controle da brusone do trigo. Além de aplicações preventivas de fungicidas, ele também utilizou produtos que fornecem resistência maior à doença. “Credito essa produtividade a um conjunto de fatores: manejo adequado, cuidado em trocar o ativo dos fungicidas utilizados, ênfase aos aspectos nutricionais. E o clima que realmente ajudou muito. É uma grande satisfação produzir tão bem.”

“Os produtores rurais da região já conhecem bastante a cultura do trigo. Eles sabem conduzir bem a lavoura, fazem boas adubações com tratos culturais muito bem adequados. Somando-se a tudo isso, a genética do trigo é muito boa, e em 2017 contamos com a ajuda do clima, já que o frio fez com que o trigo desempenhasse seu potencial genético mais a contento”, analisou Claudio Malinski.

O frio de fato foi um grande diferencial. O produtor Vilson Baron, do grupo Agro Aliança, também conseguiu produtividades elevadas nesta safra com o trigo. Ele plantou em sua propriedade, em Água Fria de Goiás (GO), 114 hectares da BRS 264 e 80 hectares da BRS 254. Conseguiu produtividades de 127 e 131 sacos, respectivamente. O início do plantio se deu na primeira semana de maio e a colheita começou no dia 10 de setembro.

O produtor usou cerca de 200 quilos de sementes por hectare, e o custo de produção ficou em R$ 2,2 mil/ha, ainda sem contabilizar custos operacionais de plantio, pulverização, colheita e transporte. “Nossa média histórica está bem expressiva, estamos sempre na casa de 120 sacos”. Segundo Baron, o que muda normalmente é mesmo o clima. “Quando chove muito no mês de maio, temos problema com a brusone. Como este ano quase não choveu, pode-se dizer que foi quase perfeito para o trigo.”

Na Fazenda Capão da Onça, também em Água Fria de Goiás, o cultivo do trigo tinha ficado de fora há oito anos, voltando nesta safra para compor a rotação após a soja e o feijão sob pivô. O resultado surpreendeu os sócios Leomar Fontana, Joel Pes e Sergio Zimmermann, com a produtividade média de 129,3 sacos/ha, em 90 hectares, com a cultivar BRS 264. “O clima ajudou bastante a cultura do trigo, e houve até um longo período de frio nos meses de junho e julho, que permitiu às plantas apresentarem todo o potencial”, confirmou Leomar Fontana. A produção foi comercializada a R$ 800 a tonelada.

Já no Moinho 7 Irmãos, em Uberlândia (MG), a expectativa é abastecer 60% da moagem com trigo mineiro. A produção no estado foi de 230 mil toneladas, um crescimento de 5,2% com relação ao ano passado. Na avaliação da responsável por suprimento do Moinho, Isabel Alves, o volume de grãos foi considerado bom e capaz de abastecer o moinho até o início de 2018. “A qualidade é aceitável pela indústria, mas houve muitas variações no pH. Recebemos desde trigo básico a melhorador, o que está exigindo mais esforço na segregação”, explicou.

 

Um pouco de história

A cultura do trigo já teve no passado, nas décadas de 1940 e 1950, uma importância maior na região. “Goiás e Minas Gerais já produziram muito trigo, mas os trabalhos foram descontinuados e os produtores deixaram de cultivá-lo assim que cessaram os incentivos do Governo. Culturas como milho e feijão tinham um retorno econômico maior e acabaram tomando espaço do trigo”, conta o pesquisador Júlio Albrecht, responsável pelo programa de desenvolvimento de cultivares de trigo da Embrapa Cerrados (DF).

A triticultura de sequeiro no Cerrado foi iniciada em 1975, na região do Programa de Assentamento Dirigido do Alto Paranaíba/MG (Padap). Em 1978, foram cultivados aproximadamente 13 mil hectares, que produziram em torno de 16 mil toneladas — sendo 88% trigo de sequeiro. Em 1979, foi indicado o plantio do trigo irrigado em várzeas, em altitudes acima de 600 metros, fundamentado pelos dados de pesquisa de trigo conduzidos pela Embrapa Cerrados em Minas Gerais e nos resultados das lavouras na região central do estado.

Em 1982, com a criação do Programa de Financiamento de Irrigação (Profir), a Embrapa Cerrados divulgou recomendações técnicas para o cultivo do trigo com irrigação. Esse programa governamental contava com o apoio da Embrapa. “Para conseguir o financiamento do equipamento de irrigação, era obrigatório o plantio do trigo no sistema de produção. O objetivo foi propiciar a disseminação da irrigação por pivô central abrindo nova perspectiva à agricultura irrigada e, com isso, expandir as culturas do trigo e do feijão”, contou Albrecht. Segundo ele, a expansão do trigo não foi maior por causa da dificuldade na comercialização da produção.

No ano seguinte, em 1983, como resultado do trabalho de pesquisa da Embrapa Cerrados, foram lançadas duas novas cultivares de trigo para a região do Brasil Central: BR 9 Cerrados e BR 10 Formosa. A produtividade desses materiais ficava em torno de três a quatro toneladas por hectare. Em 1985, foram lançadas a BR 12 Aruanã e a BR 16, essa última voltada para o cultivo de sequeiro. Já em 1987, duas novas cultivares para a região do Brasil Central foram colocadas no mercado: BR 33 Guará e BR 39 Paraúna. Nessa época, o trigo ocupava cerca de 10 mil hectares da área plantada no Cerrado.

Apesar de essas duas últimas cultivares lançadas possuírem resistência a algumas doenças, boas características agronômicas e apresentarem produtividades superiores às das cultivares testemunhas, os pesquisadores, na época, buscando obter materiais com ainda mais produtividade e com maior tolerância especialmente a doenças como a mancha-amarela e mancha- marrom, iniciaram o programa de cruzamentos na Embrapa Cerrados. “Para aumentarmos a produtividade, tínhamos que criar maior variabilidade. Por isso, iniciamos o programa de cruzamentos para, assim, selecionarmos materiais no ambiente de Cerrado”, explicou Albrecht.

 

Mudança de rumo

Até 1990, todos os programas de melhoramento de trigo buscavam principalmente produtividade e resistência a doenças. O fator qualidade industrial para panificação não era prioridade para os produtores. Isso ocorria porque, até então, todo o trigo produzido era comercializado pelo Governo. Essa realidade mudou com a privatização da comercialização do trigo nacional. “Tivemos que mudar o foco da pesquisa para desenvolver materiais com qualidade industrial para panificação, alta força de glúten e alta estabilidade, além da produtividade. Até então, a qualidade industrial para panificação não era o foco do trigo brasileiro”, afirmou o pesquisador Júlio Albrecht.

Outro fator que forçou a reestruturação dos programas de melhoramento, segundo ele, foi a surgimento na região da brusone no trigo, doença identificada pela primeira vez em 1993. Em 1995, foram lançadas pela Embrapa Cerrados para a região do Cerrado as primeiras cultivares com excelente qualidade industrial para panificação, alta força de glúten e estabilidade: Embrapa 22 e Embrapa 42. “Por muitos anos, a Embrapa 42 foi considerada uma das melhores cultivares de trigo em termos de qualidade industrial cultivadas no Brasil”, contou Albrecht. Segundo ele, com essas duas cultivares, os produtores já começaram a obter produtividades mais elevadas, em torno de seis toneladas por hectare de média.

Nessa época, os moinhos começaram a reclamar que o trigo produzido na região era muito forte, com alta força de glúten e que não dava para fazer biscoito nem macarrão. Então, para atender a essa demanda, foi lançada em 2005 a cultivar BRS 207, com alto potencial de produtividade, indicada para os estados de Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal e com qualidade industrial para produção de biscoitos e massas. No entanto, por ser um trigo com força de glúten menor, os moinhos queriam pagar menos ao produtor, que reagiu e passou a não mais plantar essa cultivar.

 

A joia da coroa

A partir de 2005, a Embrapa Cerrados desenvolveu as cultivares que são as mais cultivadas pelos produtores atualmente. A primeira delas foi a BRS 254, cultivar com alta qualidade industrial para a região do Cerrado. Ela possui elevada força de glúten, excelente estabilidade e é voltada para panificação. “Em seguida, veio a joia da coroa”, contou Albrecht, referindo-se à BRS 264. “Essa cultivar proporcionou a expansão do trigo no Cerrado, em função da sua qualidade, precocidade e alta produtividade. É um trigo altamente produtivo e o mais precoce do Brasil. Por suas características, acabou proporcionando uma grande expansão da área plantada com trigo na região do Cerrado”, destaca.

A mais recente cultivar de trigo para o Cerrado foi lançada em 2015: a BRS 394. Segundo Albrecht, ela tem potencial para se tornar a mais nova “joia da coroa”. Ele destacou que, já no primeiro ano de cultivo, o produtor de semente Genésio Muller, na região do PAD/DF, alcançou 7.500 kg/ha. “Acreditamos que, à medida que os produtores forem conhecendo melhor a nova cultivar e aprimorando o manejo, eles alcançarão até 9.000 kg/ha de grãos.”

Além da BRS 394, em 2015 também foi lançada a BRS 404, considerada uma das melhores alternativas para cultivo de sequeiro no Cerrado. O desenvolvimento desse material foi realizado em conjunto pela Embrapa Trigo (RS) e Embrapa Cerrados (DF). A BRS 404 possui alto potencial de produtividade e boa qualidade industrial para panificação. Outra característica importante é a sua tolerância à brusone, o que permite um melhor manejo da lavoura para reduzir os custos de produção.

Fonte: EMBRAPA

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